sábado, 27 de abril de 2013

Depoimento sobre o livro "Olhai os Lírios do Campo"


Estava eu, outro dia, voltando para casa, quando me deparei com um casal de idosos, ambos com idade bem avançada. Fiquei perplexa observando-os, pois passeavam de mãos dadas, a passos lentos. Como eles eram lindos! E, quase que imediatamente, imaginei-me no lugar deles, fiquei pensando, será que terei o privilégio de chegar à idade deles, e passear em uma tarde ensolarada com um amor de uma vida inteira? Qual seria a história daquele casal? Será que eles se amavam mesmo? Era um amor de infância? Havia tantas perguntas em minha mente, eu queria parar aquele casal, e perguntar qual era a história deles, mas, fiquei envergonhada e, voltei à realidade.
Cheguei em minha casa, e a imagem do casal voltou em minha mente, e, automaticamente me lembrei de Eugênio, não sei bem porque, mas me lembrei dele, lembrei de como as pessoas são gananciosas e estúpidas, que trocam o amor por dinheiro, por casas, carros e tantas outras coisas, preferem passar o dia todo trabalhando e compensar os filhos com presentes, como se uma boneca fosse compensar a falta de carinho dos pais.
Quem sabe se Eugênio não fosse tão ganancioso ele teria um lindo futuro ao lado de Olívia, mas, infelizmente ele escolheu o dinheiro. Fico me perguntando, como seria se Eugênio tivesse escolhido Olívia?
Confesso que odiei Eugênio logo que terminei de ler a obra. Como ele pode abandonar Olívia quando ela mais precisou dele? Como ele pode isso? Hoje em dia existem tantos “Eugênios” por aí, que fico pensando, será que no futuro haverá casais que realmente se amam, ou haverá apenas o interesse pelo dinheiro?
Erico apenas estava tentando me acordar, me trazer a realidade, me mostrar a verdade dos fatos, e, por mais que o personagem se arrependeu no final, lamentei, pois já era tarde demais, Olívia já estava morta. No entanto, Eugênio teve uma segunda chance, teve a oportunidade de criar sua filha, e desse modo pode redimir-se de seu erro cometido no passado.
E como nos dizia Erico em seu livro Olhai os Lírios do Campo:  “Os homens deveriam ler o sermão da montanha  na bíblia e meditar sobre este trecho, principalmente no ponto em que Jesus fala dos lírios do campo, que não trabalham, nem fiam, e, no entanto nem Salomão em toda sua glória jamais se vestiu como um deles. Está claro que não devemos tomar as parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo caia do céu. É indispensável trabalhar, pois o mundo de criaturas passivas seria bem triste e sem beleza. Precisamos entretanto, dar um sentido humano as nossas construções. E quando o amor ao dinheiro nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.”
Então, devemos valorizar tudo o que a vida nos oferece, pois cada erro cometido e também cada acerto nos trazem experiências boas ou más, tornando-nos melhores a cada dia. Por isso devemos dar mais importância aos pequenos detalhes, do que o amor exagerado ao dinheiro, pois esses permanecerão em nossa memória para sempre, enquanto aquele se acabará.


Depoimento escrito por Emanuela Carvalho da Costa, aluna do magistério.
Instituto de Educação Cenecista - Tenente Portela

sexta-feira, 26 de abril de 2013

Vídeos


Duzentos anos de história, duas mil páginas de coragem e também de ternura. A Obra maior de Erico Verissimo, a triologia "O Tempo e o Vento", mostrou que não havia mesmo limites para o gaúcho bom de prosa.




"E quando o amor ao dinheiro nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu."

(Olhai os Lírios do Campo)







De onde vem essa sociedade, de onde vem a burguesia, de onde vem a classe média, de onde vem o Brasil de 1930, de onde vem esse Brasil Getuliano que está progredindo e se industrializando sobre uma ditadura?
São dessas indagações que surge o projeto da triologia "O Tempo e o Vento".


sábado, 20 de abril de 2013

Biografia do Escritor

Erico Verissimo nasceu no dia 17 de dezembro de 1905 em Cruz Alta, Rio Grande do Sul. Filho de Sebastião Verissimo da Fonseca e de Abegahy Lopes, família rica e tradicional, que perdeu tudo no começo do século. Estudou no Colégio Venâncio Alves, em Cruz Alta. Com 13 anos já lia autores nacionais como Aluízio Azevedo, Joaquim Manuel de Macedo, Coelho Neto e autores estrangeiros como Dostoievski e Walter Scott. Em 1920 foi para Porto Alegre, estudou no Colégio Cruzeiro do Sul, mas não completou o curso. Voltou para Cruz Alta. Abandonou os planos de cursar uma Universidade.
“Olhai os Lírio do Campo", é sua obra prima. Foi um dos melhores romancistas brasileiros. Fez parte do segundo tempo modernista. Recebeu o "Premio Machado de Assis" com a obra "Música ao Longe" e o "Premio Graça Aranha" com "Caminhos Cruzados".
Em 1925 trabalhou no Banco Nacional do Comércio. Em 1926, tornou-se sócio de uma farmácia. Dava aulas de literatura e inglês. Em 1929, começou escrevendo contos para revistas e jornais. Em 1930, a farmácia foi à falência. Em 1931, casa-se com Mafalda Halfem Volpe, com quem teve dois filhos. Vai definitivamente para Porto Alegre, onde foi contratado para o cargo de secretário de redação da Revista do Globo, onde conviveu com escritores renomados. Em 1932, foi promovido a Diretor da Revista do Globo e atuou no departamento editorial da Livraria do Globo.
Erico Verissimo fez parte do Segundo Tempo Modernista (1930-1940), onde a literatura traz para reflexão os problemas sociais. Em 1932, o autor publica uma coletânea de contos "Fantoche", foi sua estreia na literatura. Em sua primeira fase a preocupação foi ética e urbana. No romance "Clarissa", tendo Porto Alegre como cenário, traça o perfil psicológico de uma adolescente. "Caminhos Cruzados", é um romance de análise social, em que expõe o drama abismal entre ricos e pobres. A fase de transição do autor é refletida em "O Resto é Silencio", onde o narrador analisa a reação de sete pessoas que presenciam o suicídio de uma moça.
Na segunda fase Erico parte para uma investigação completa do passado histórico do Rio Grande do Sul. "O Tempo e o Vento", são três romances, que trazem um vasto texto épico, onde desfilam as famílias do patriarcalismo gaúcho. "Ana Terra" é a protagonista do primeiro volume da trilogia. A cena se passa no Rio Grande do Sul, e relata o drama de uma família de pioneiros gaúchos. A terceira fase apresenta romances de aberta reação ao sistema político do século XX, é o caso do "Senhor Embaixador". No romance "O Prisioneiro", pretendeu o autor, como ele disse, "fazer uma espécie de parábola moderna sobre a guerra e o racismo".
Erico Verissimo foi para os Estados Unidos, em 1941, em missão cultural, a convite do Departamento de Estado americano. Temendo a ditadura do governo Vargas, em 1943, foi lecionar Literatura brasileira, na Universidade de Berkeley, na Califórnia. Em 1953, ocupou o posto de Diretor do Departamento de Assuntos Culturais da União Pan-Americana. O registro de suas viagens foi descrito nos livros "Gato Preto em Campo de Neve" e "A Volta do Gato Preto".
Em 1969, a casa onde nasceu, é transformada em Museu. Sua obra "Música ao Longe", recebeu o Prêmio Machado de Assis e "Caminhos Cruzados", recebeu o Prêmio Graça Aranha. Em 1973, escreveu o primeiro volume da trilogia de sua autobiografia "Solo de Clarineta", mas não completou o segundo volume. Seu filho Luís Fernando Verissimo, nascido em 1936 é autor de livros famosos como O Analista de Bagé e Comédia da Vida Privada.
Erico Verissimo morreu vítima de enfarte no dia 28 de novembro de 1975 na sua residência em Porto Alegre.


Obras de Erico Verissimo:

Fantoche, contos, 1932
Clarissa, ficção, 1933
Caminhos Cruzados, ficção, 1935
Música ao Longe, ficção, 1935
A Vida de Joana D'Arc, biografia, 1935
Um Lugar ao Sol, ficção, 1936
As Aventuras do Avião Vermelho, literatura infantil, 1936
Rosa Maria no Castelo Encantado, literatura infantil, 1936
Os Três Porquinhos, literatura infantil, 1936
Meu ABC, literatura infantil, 1936
As Aventuras de Tibicuera, romance didático, 1937
O Urso com Música na Barriga, 1938
Olhai os Lírios do Campo, ficção, 1938
A Vida do Elefante Basílio, 1939
Outra Vez os Três Porquinhos, 1939
Viagem à Aurora do Mundo, 1939
Aventuras no Mundo da Higiene, 1939
Saga, ficção, 1940
Gato Preto em Campo de Neve, impressões de viagem, 1941
As Mãos de Meu Filho, contos, 1942
O Resto é Silencio, ficção, 1942
A Volta do Gato Preto, impressões de viagem, 1946
O Tempo e o Vento I, O Continente, 1948
O Tempo e o Vento II, O Retrato, 1951
Noite, novela, 1954
Gente e Bichos, 1956
O Ataque, novelas, 1959
O Tempo e o Vento III, O Arquipélago, 1961
O Senhor Embaixador, 1965
O Prisioneiro, 1967
Israel em Abril, 1969
Incidente em Antares, 1971
Solo de Clarineta, memórias, vol.I, 1973; Vol.II, 1975

(www.e-biografias.net)

Quem somos?




Somos responsáveis pelo blog ERICO VERISSIMO EM EVIDÊNCIA e acadêmicas do Curso de Letras da Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das missões – URI campus de Frederico Westphalen.
Temos o objetivo de através deste blog, trazer informações sobre o escritor Erico Verissimo, bem como, analisar suas obras no contexto literário, relacionando-as com a história do Rio grande do Sul.
Desse modo, pretendemos despertar no leitor uma visão crítica sobre as obras do escritor, valorizando a importância da Literatura Gaúcha, nacionalmente.


“Precisamos dar um sentido humano às nossas construções. E, quando o amor ao dinheiro, ao sucesso nos estiver deixando cegos, saibamos fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.”  

(Erico Verissimo.)

terça-feira, 16 de abril de 2013

Objetivo:

Este blog tem o objetivo de publicar curiosidades, biografia, filmes, vídeos e depoimentos de alunos, professores e leitores das obras de Érico Veríssimo; visando ampliar conhecimentos sobre a vida e as obras do escritor gaúcho.