Estava eu, outro dia, voltando para
casa, quando me deparei com um casal de idosos, ambos com idade bem avançada.
Fiquei perplexa observando-os, pois passeavam de mãos dadas, a passos lentos.
Como eles eram lindos! E, quase que imediatamente, imaginei-me no lugar deles,
fiquei pensando, será que terei o privilégio de chegar à idade deles, e passear
em uma tarde ensolarada com um amor de uma vida inteira? Qual seria a história
daquele casal? Será que eles se amavam mesmo? Era um amor de infância? Havia
tantas perguntas em minha mente, eu queria parar aquele casal, e perguntar qual
era a história deles, mas, fiquei envergonhada e, voltei à realidade.
Cheguei em minha casa, e a imagem
do casal voltou em minha mente, e, automaticamente me lembrei de Eugênio, não
sei bem porque, mas me lembrei dele, lembrei de como as pessoas são gananciosas
e estúpidas, que trocam o amor por dinheiro, por casas, carros e tantas outras
coisas, preferem passar o dia todo trabalhando e compensar os filhos com
presentes, como se uma boneca fosse compensar a falta de carinho dos pais.
Quem sabe se Eugênio não fosse tão
ganancioso ele teria um lindo futuro ao lado de Olívia, mas, infelizmente ele
escolheu o dinheiro. Fico me perguntando, como seria se Eugênio tivesse
escolhido Olívia?
Confesso que odiei Eugênio logo que
terminei de ler a obra. Como ele pode abandonar Olívia quando ela mais precisou
dele? Como ele pode isso? Hoje em dia existem tantos “Eugênios” por aí, que
fico pensando, será que no futuro haverá casais que realmente se amam, ou
haverá apenas o interesse pelo dinheiro?
Erico apenas estava tentando me
acordar, me trazer a realidade, me mostrar a verdade dos fatos, e, por mais que
o personagem se arrependeu no final, lamentei, pois já era tarde demais, Olívia
já estava morta. No entanto, Eugênio teve uma segunda chance, teve a oportunidade
de criar sua filha, e desse modo pode redimir-se de seu erro cometido no
passado.
E como nos dizia Erico em seu livro
Olhai os Lírios do Campo: “Os homens deveriam
ler o sermão da montanha na bíblia e
meditar sobre este trecho, principalmente no ponto em que Jesus fala dos lírios
do campo, que não trabalham, nem fiam, e, no entanto nem Salomão em toda sua
glória jamais se vestiu como um deles. Está claro que não devemos tomar as
parábolas de Cristo ao pé da letra e ficar deitados à espera de que tudo caia
do céu. É indispensável trabalhar, pois o mundo de criaturas passivas seria bem
triste e sem beleza. Precisamos entretanto, dar um sentido humano as nossas
construções. E quando o amor ao dinheiro nos estiver deixando cegos, saibamos
fazer pausas para olhar os lírios do campo e as aves do céu.”
Então, devemos valorizar tudo o que
a vida nos oferece, pois cada erro cometido e também cada acerto nos trazem
experiências boas ou más, tornando-nos melhores a cada dia. Por isso devemos
dar mais importância aos pequenos detalhes, do que o amor exagerado ao
dinheiro, pois esses permanecerão em nossa memória para sempre, enquanto aquele
se acabará.
Depoimento escrito por Emanuela Carvalho da Costa, aluna do magistério.
Instituto de Educação Cenecista - Tenente Portela


